Os motores da Formula 1, o carro eléctrico e o futuro do petróleo

mercedesf1engine

Em 2014 a Formula 1 (F1) deixou de usar os motores 2.4 L V8 naturalmente aspirados e passou a usar propulsão híbrida com unidades de potência (power units) compostas por um motor a gasolina 1.6 L V6 Turbo e por duas unidades eléctricas alimentadas pela energia gerada pelo próprio carro. Esta mudança gerou alguma polémica porque a F1 perdeu o som raivoso dos motores e os carros passaram a ser mais lentos (neste caso não só pelo motor, mas também pelos pneus e limitação regulamentar do fluxo de combustível). Contudo, estas mudanças foram exigidas pelos construtores de motores – nomeadamente a Renault – anos antes, para que a categoria estivesse alinhada com o caminho que a indústria de automóveis estava a seguir: motores híbridos que permitem reduzir o consumo de combustível, sem que isto implique perca de performance. Com esta mudança de paradigma a F1 de 2015 consome menos 35% de gasolina que em 2013.

Eu tive o prazer de ouvir o inquietante roncar dos motores V8 na F1 que é de facto mais impressionante que o som expelido pela propulsão V6 Turbo Híbrida, mas a nova configuração é o futuro e antes de ser usada na F1 já estava nas estradas e os construtores pretendem usar a F1 como laboratório para desenvolver ainda mais a tecnologia que nas estradas já não se resume aos pequeno-citadinos uma vez que os três super desportivos de série mais espectaculares lançados nos últimos tempos são três híbridos que usam uma tecnologia semelhante a da Formula 1: (i) McLaren P1, (ii) Porsche 918 Spyder, e (iii) Ferrari LaFerrari.

Segundo a Llewellyn Consulting citada por um colunista do The Guardian, se o mundo adoptasse a tecnologia da F1 poderia poupar cerca de 2% ou mais em consumo de petróleo bruto por ano, adicionando mais uma questão a sustentabilidade da procura de petróleo no longo prazo, sobretudo porque o sector automóvel, um dos maiores consumidores de combustíveis, não se quer ficar pelos carros híbridos e avança decididamente para adopção do carro eléctrico. A Tesla sediada nos Estados Unidos terá a companhia de outras marcas de luxo na produção de carros eléctricos em breve: a BMW anunciou que vai converter toda sua gama para carros eléctricos e híbridos no futuro próximo enquanto que a Porsche apresentou no salão automóvel de Frankfurt o protótipo Mission E, uma espécie de Porsche Panamera eléctrico que recorreu à tecnologia que a marca alemã usou no protótipo 919 Hybrid LMP1 (construído para disputar o World Endurance Championship (WEC) também conhecido por Le Mans series) e que poderá estar nas estradas no final desta década.

A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) que organiza os campeonatos da F1 e WEC onde abundam vários híbridos produzidos por grandes construtores (como Porsche, Audi, Peugeot, Toyota e Nissan) lançou a Formula E, uma espécie de Formula 1 de carros eléctricos que foi recebida na sua época de estreia com algum entusiasmo pela indústria, adeptos e patrocinadores, atraindo vários ex-pilotos da F1.

Apesar do entusiasmo de alguns sobre o futuro do automóvel e como isto poderá impactar a procura do petróleo, no momento as vendas de carros eléctricos e híbridos ainda não conseguiram ganhar tracção; nos Estados Unidos os carros eléctricos vendidos no final de 2014 eram cerca de 200 mil, muito abaixo do um milhão que antecipava Barack Obama – na altura senador – em 2006 sendo que a empresa Navigat prevê que só em 2025 a frota de carros eléctricos nos Estados Unidos atingirá um milhão.

Se aposta da Google (ou Alphabet) no “carro auto-dirigido” gerou mais curiosidade do que interesse generalizado da indústria automóvel, a mudança de estratégia da BMW está a ser recebida com alguma apreensão pois poderá trazer consigo outras grandes marcas para a festa dos eléctricos e híbridos e pressionar a procura de petróleo cujo preço, dentre outros factores, já está a ser afectado pelo aumento da produção global. Sendo assim, não é disparatado esperar que dentro de 15 anos a configuração do motor dos nossos carro exija menos combustível e que a procura global pelo ouro negro deixe de crescer ao ritmo da última década.

 

Como a evolução das receitas fiscais petrolíferas está a matar o optimismo do governo

Há alguns meses atrás, quando o petróleo ainda estava a rondar os 65-70 USD resolvi analisar a sensibilidade da receita fiscal petrolífera de Angola às alterações do preço do barril do petróleo, no caso o Brent. A análise foi alimentada por dados históricos do Ministério das Finanças e prospectivos que constam no relatório de fundamentação do OGE (para as quantidades produzidas).

Considerando a percentagem histórica das receitas fiscais no total da produção/exportação de crude, criei alguns cenários que eram combinados com diferentes níveis de preço para o barril de petróleo, na altura o preço mais baixo que considerei foi $55, que era um valor considerado pessimista. No pior dos cenários, a receita fiscal petrolífera anual – que considera os impostos e as receitas com a concessão – situa-se nos 17,6 mil milhões de USD e é aqui que surge a grande maka.sensibilidade

Até Julho de 2015 o estado angolano arrecadou 830 mil milhões de kwanzas de receitas fiscais petrolíferas contra os 1,8 bliões de kwanzas no mesmo período em 2014. Admitindo linearidade da receita até ao final do ano deverão entrar 1,42 biliões de kwanzas (bilião são 12 zeros!) de receitas fiscais petrolíferas, muito abaixo dos 17,6 mil milhões de USD do meu cenário pessimista, sendo que 1,42 biliões de kwanzas à uma taxa de câmbio média de 120 kwanzas por cada dólar equivalem a 11,9 mil milhões de USD, e isto é um cenário optimista porque a tendência da receita fiscal é decrescente.

Olhando para estes números percebe-se porquê que o FMI aconselha o governo angolano a rever os custos com pessoal da função pública, que eu igualmente considerei exagerados há meses atrás neste blogue. O estado angolano inscreveu no OGE 2015 custos com pessoal no valor de 1,4 biliões de kwanzas, ou seja, se o estado executar na totalidade a despesa com pessoal prevista no OGE o kumbu do petróleo deste ano servirá apenas para pagar o pessoal do estado e nada mais… tudo o resto dependerá de reservas e do aumento da dívida pública.

O estado angolano parece que abandonou o tom optimista do princípio do ano e começa finalmente a ser mais realista nos discursos. Recentemente o governador do BNA disse em entrevista que os cortes têm que ser mais profundos e disse mesmo que somos hoje mais pobres e como tal, temos que ajustar os nossos gastos.

Nos últimos anos, o estado angolano cresceu muito rapidamente, sem que isso implicasse melhores serviços. As receitas petrolíferas cresceram exponencialmente entre 2002 e 2008 e voltaram a recuperar da crise de 2009 já em 2010 (+49% por barril) e tiveram um desempenho melhor ainda em 2011 (+62% por barril) mas a estagnação de 2012 (-0,7% por barril) e a quebra expressiva em 2013 (-12,1%) não conduziram aos ajustamentos necessários e os funcionários públicos (pelo menos os que ocupam cargos de chefia) continuaram a tratar-se bem, tanto é assim que as despesas com pessoal para 2015 chegaram ao nível da obscenidade se considerarmos a qualidade do serviço que prestam.Está na hora de mostrarem coragem e exercerem algum sentido de nação, há que dar menos leite ao gato gordo e é urgente começar a tomar medidas. Cortar benefícios e viagens é capaz de não chegar. Cortar o 13.º seria uma saída imediata (haverão aí contingências legais) e convém avisar já as pessoas que este ano não haverá cabaz de natal porque o desequilíbrio das contas públicas não só é um facto financeiro como é um “facto matemático”.

O “camarada Petróleo” e a inflação

Quando as economias são maduras e contam com alguma capacidade produtiva, os períodos de contracção da procura dão lugar a deflação, ou seja, baixa dos preços em termos globais.

Infelizmente a nossa economia não é saudável e assenta numa base frágil. Angola importa boa parte dos bens de consumo e a nossa moeda é administrada com base nas disponibilidades de divisas que entram na nossa economia essencialmente por via das exportações de petróleo que num contexto de quebra acentuada e acelerada das exportações coloca o nosso modelo económico em cheque.

A quebra nas exportações teve vários efeitos na economia que estão a tornar cada vez mais difícil a vida dos angolanos:

  • Em face da quebra de receitas fiscais, o governo reduziu em um terço o seu orçamento para 2015 face o OGE original;
  • Sendo o Estado o principal consumidor da nossa economia, a redução da sua capacidade financeira afectou fortemente a procura e fez crescer os atrasados do governo com os seus fornecedores;
  • Com menos consumo público as empresas vêem a sua situação económica a deteriorar-se dia após dia o que implica incapacidade de honrar compromissos com colaboradores, menos capacidade de investimento e menos emprego;

Com menos emprego e com salários congelados o consumo privado diminui o que poderia forçar os produtores/vendedores a reduzir os preços (deflação). Contudo, como no nosso caso boa parte dos bens de consumo é importada os preços aumentam.

O preços aumentam porque os grandes distribuidores importam menos (por dificuldade de acesso às divisas) e mais caro (porque a taxa de câmbio é menos favorável). Passámos a ter uma situação de redução da oferta de bens de consumo que são adquiridos a preços mais elevados, esta combinação é a mãe e o pai da aceleração generalizada dos preços que não deverá ser contida nos 9,61% de inflação registada a Junho de 2015.

Muitos economistas defendem que na presença de quebra da procura agregada o estado deve expandir o consumo público para relançar a economia mas a realidade mostra-nos que as reservas muito publicitadas no “bom tempo” não existem e o governo angolano é incapaz de injectar dinheiro fresco na economia, pelo contrário, o governo reduziu as despesas de forma pouco criteriosa e pouco se sentem as reformas que visavam melhorar a eficiência e transparência da máquina pública o que torna o estado no principal contribuinte da quebra da procura global, incluindo a “boa despesa”.

Com este quadro, não havendo qualquer mudança de humor do “camarada Petróleo” a inflação deverá manter a sua trajectória ascendente e os angolanos deverão continuar a ver o seu poder de compra a “viajar para sul”.

O professor e político português Miguel Cadilhe disse uma vez com certa graça que a inflação está para economia como o sal está para culinária: é preciso a medida certa. Não se quer uma comida sem sal (inflação nula ou negativa) e não se quer uma comida salgada (inflação elevada), a nossa economia está salgada e o cozinheiro ainda tem uma mão cheia de sal para pôr no tacho nos próximos tempos, só o “camarada Petróleo” pode travá-lo.

Book Club | “The Frackers – The Outrageous Inside Story of the New Billionaire Wildcatters”

the frackersGregory Zuckerman é um daqueles autores com um talento especial para escrever a história como se de um romance se tratasse, o autor de “The Greatest Trade Ever”, livro que descreve a elaboração e execução da estratégia de John Paulson e seus colaboradores na maior transacção de sempre que tirou proveito do colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos, abraçou em “The Frackers” a história dos pioneiros da exploração de petróleo e gás para lá das rochas de xisto. Em boa verdade, o homem sabe há muitos anos da existência de hidrocarbonetos em “armadilhas” de rochas (o nome “petróleo” significa “óleo da pedra”) mas a insistência de um grupo de empreendedores americanos foi o primeiro capaz de explorar com sucesso comercial as riquezas abaixo das camadas de xisto.

“The Frackers” começa por contar a história de George Mitchell cuja empresa foi pioneira a usar a tecnologia de fracturação hidráulica das rochas (hydraulic fracturing) para exploração de gás na formação rochosa do Barnett no norte do Texas. A persistência de mais de uma década de Mitchell no aperfeiçoamento da tecnologia permitiu a revolução energética mais recente nos Estados Unidos com efeitos em todo o mundo.

Gregory Zuckerman não foca a sua narrativa apenas na tecnologia e nos efeitos económicos da revolução do shale gas mas também na personalidade das pessoas que levaram a cabo a revolução como Aubry McCLendon e Tom Ward da Chesapeake Energy; Harold Hamm da Continental Resources que protagonizou mais tarde o divórcio mais caro da história dos divórcios dos Estados Unidos; o imigrante libanês Charif Souki que abandonou o negócio da restauração para lançar-se num terminal de importação de LNG que com a abundância de produção americana foi convertido em terminal de exportação de LNG; Mark Papa que transformou a EOG Resources (antiga filial da falida Enron) num operador de referência depois de ter mantido em segredo o que tinham descoberto na formação rochosa de Eagle Ford no sul do Texas e Robert Hauptfuhrer da Oryx Energy.

O livro conta a história dos últimos 20 anos de exploração de petróleo e gás nos Estados Unidos que foram marcados por maior investimento da produção no exterior por parte das grandes empresas, uma vez que existiam várias restrições locais para aumento das zonas de exploração no offshore. Neste contexto, as empresas menores decidiram apostar em formas alternativas de aceder às riquezas no subsolo arriscando milhares de dólares em experiências tecnológicas que acabaram por revelar-se revolucionárias. As grandes empresas perderam corrida e tiveram que recorrer mais tarde às aquisições para terem acesso ao bolo do xisto cujo aumento da produção afectou a oferta mundial e ajuda a explicar a actual depressão do preço do petróleo que tem provocado grandes constipações deste lado do globo.

“The Frackers” é a todos níveis um livro obrigatório para quem quer familiarizar-se com o que está por trás da exploração de petróleo e gás em formações rochosas mas também ajuda-nos a perceber porquê que certas revoluções tecnológicas acontecem sobretudo nos Estados Unidos. Os americanos ao longo da sua história parecem ter conseguido criar o ecossistema perfeito para empreendedores, onde as grandes ideias encontram os financiadores, técnicos e protecção judicial para as suas arriscadas apostas no desconhecido.

Título: “The Frackers The Outrageous Inside Story of the New Billionaire Wildcatters” | Autor: Gregory Zuckerman

Se tivéssemos a refinaria do Lobito em operação importaríamos menos

O governo angolano, em presença da redução significativa das receitas fiscais e da entrada de divisas que permitem gerir a taxa de câmbio do kwanza por parte do banco central, propôs ao parlamento uma “contribuição especial” que visa cobrar uma taxa sobre algumas operações cambiais. Esta medida não é clara, ainda não percebi se o objectivo é fazer crescer a receita fiscal, reduzir a procura de divisas ou as duas coisas. Fiquei surpreso quando li uma entrevista do governador do BNA a justificar uma medida fiscal, sendo do campo que defende uma política monetária independente (mas não indiferente) da política fiscal fiquei mal impressionado por esta mistura de “funge com cachupa”.

Esta medida pode de facto aumentar a receita fiscal se as transferências para o exterior se mantiverem elevadas, o que não parece ser o caso. Se por outro lado o objectivo passar pela redução da procura de divisas podemos então dizer que a medida funcionou se esta contribuir para redução de transferências para o exterior, mas neste caso bastaria um aviso do BNA como aconteceu com a lista de prioridades passadas para os bancos.  E há riscos, como:

  • Criar um processo complicado que pode gerar corrupção. Há que ter presente que vivemos numa sociedade em que os cidadãos são especialistas em “esquemas” e que muitas vezes os que têm poder de decisão criam dificuldades para vender facilidades;
  • Embora a medida seja temporária, existe o risco real desta medida afectar a capacidade da economia angolana atrair investimento e talento externo, dois elementos que precisamos para fazer crescer a economia

Como já aqui escrevi, a nossa economia sofre de problemas de estrutura que estão umbilicalmente ligados às escolhas feitas para a organização sócio-económica do país e para o modelo de desenvolvimento que, em boa verdade, não se consegue identificar na leitura dos vários documentos produzidos pelos estado angolano nos últimos anos.

Angola iniciou um processo de desdolarização sem ter as bases de sustentação necessárias para aguentar um choque. Eliminar a dualidade monetária não foi para mim um erro, a maka reside em iniciar este processo de forma isolada, sem que tivessem sido feitas as reformas necessárias para expandir a produção interna de bens e serviços que pudessem aumentar as exportações fora do sector extractivo e substituíssem de forma competitiva as importações e desta forma reduziríamos a pressão sobre as divisas.

Sobre a procura de divisas, olhando para alguns produtos importados que poderiam ser substituídos por produção local com decisões de investimento em tempo oportuno destaco os combustíveis, cujas importações levam-nos a reflectir sobre a incompreensível inexistência de capacidade de refinação de petróleo bruto em Angola.

Entre 2001 e 2013 o consumo de derivados de petróleo em Angola cresceu cerca de 10% ao ano, sendo que passámos de 29 mil barris por dia em 2001 para 133 mil barris por dia em 2013. Para referência, no mesmo período, a taxa média composta (CAGR) para África foi de 2,7%. Contudo, a capacidade de refinação interna tem se mantido praticamente inalterada há muitos anos com a refinaria de Luanda a ser auxiliada apenas pela pequena capacidade de refinação da CABGOC em Cabinda. A Sonangol que nos últimos anos investiu em tudo e mais alguma coisa, em particular no sector financeiro português (hoje é o maior accionista do banco Millennium BCP) parece não privilegiar o investimento na sua capacidade de refinação que para além de permitir reduzir as importações poderá aumentar as exportações nacionais.

Consumo Petróleo Angola (IEA)
Angola importou combustíveis no valor de $2,07 mil milhões em 2013 ($1,13 mil milhões em 2012) segundo o INE. Como a refinação interna é reduzida e estática, a importação de produtos petrolíferos refinados tem crescido de forma acelerada nos últimos anos para responder ao aumento do consumo, com efeito as importações cresceram a uma média de 32,2% ao ano entre 2001 e 2010 (IEA).

ImportsRefinados(IEA)

Os valores importados poderiam ser muito menores ou mesmo nulos se a refinaria do Lobito já tivesse saído do papel há mais tempo. Vale acrescentar que a refinação de combustíveis é fundamental para a indústria petroquímica que poderia igualmente reduzir a importação de outros produtos como polímeros para produção de plásticos e outros produtos químicos derivados do petróleo.

Resumindo, os nossos problemas de hoje não podem ser separados das escolhas que fizemos ontem. A culpa não é só “do mercado internacional”, há uma boa parte que deve-se a decisões inteiramente angolanas. O hoje é filho do ontem e pai do amanhã.

P.S.: Não abordei com profundidade o mérito de investir rios de dinheiro no sector financeiro português, assim como poderia escrever uma tese sobre a saída de divisas para investimentos brutais lá fora. Fica para outra oportunidade.

O rectificativo previsível

(…) as actuais previsões do quadro fiscal 2015 continuam a assinalar elevadas incertezas de enquadramento internacional. O preço do barril de petróleo Brent reduziu de USD 115,49, a 19 de Junho de 2014, para USD 83,38, a 15 de Outubro de 2014, continuando a apresentar uma tendência de queda, em resultado do excesso de oferta induzido pelos Estados Unidos, por um lado, a que se acrescenta o esvaziamento da concretização das expectativas de aumento do preço do petróleo em decorrência do agravamento das tensões geopolíticas na Rússia, Ucrânia, Iraque e Líbia, importantes produtores de petróleo.

in Relatório de Fundamentação do OGE 2015

Pois é, em Outubro de 2014 o Brent estava cotado a $83,4 por barril e em Dezembro o governo angolano apresentou um OGE com o preço médio de $81/barril para 2015. Na minha modesta opinião, levar aquele OGE para a Assembleia Nacional não foi muito razoável e ver os deputados do MPLA a defender com unhas e dentes um orçamento que era claramente fictício não foi muito agradável, mais uma vez os deputados do MPLA exibiram grande sentido partidário mas muito pouco bom senso.

Com o preço do petróleo em queda e as indefinições na OPEP já todos tinham percebido que $81 era optimista, ainda assim o governo avançou com um orçamento que previa 2.551 mil milhões de kwanzas de receitas fiscais petrolíferas (cerca de 25,5 mil milhões de USD) muito abaixo dos mais de USD 30 mil milhões de estimados para 2014 e longe dos quase USD 40 mil milhões de 2012.

Mas muito mais grave do que isto é que muito dificilmente as receitas do governo com petróleo bruto chegarão aos 20 mil milhões de dólares e com os preços actuais deverão situar-se entre os 15-18 mil milhões de dólares…