NBA em África e Angola

fonte: NBA

A NBA é das ligas desportivas profissionais mais populares do mundo. As principais estrelas da liga que junta vinte e nove equipas dos Estados Unidos e uma do Canadá são familiares para a generalidade das pessoas que acompanham desporto no mundo. A liga americana anunciou que vai realizar pela primeira vez um jogo em África e não será na terra da selecção multi-campeã africana em selecções masculina e feminina de diferentes categorias e clubes masculinos e femininos, o jogo será na África do Sul.

Angola ambiciona ser uma potência continental nos domínios político, económico, cultural e desportivo e – no âmbito do desporto – este objectivo já foi alcançado há muitos anos no basquetebol. O domínio do basquetebol é explicado pelo trabalho feito há muitos anos por indivíduos e instituições ligadas ao basquetebol, pela popularidade da modalidade no país e pela liga que, apesar das limitações e insuficiências, produz o basquetebol mais competitivo (e competente) no continente, facto que pode ajudar a explicar o número reduzido de basquetebolistas angolanos lá fora uma vez que é possível fazer uma carreira bem remunerada em casa. Com efeito, nunca um atleta angolano disputou um único jogo da época regular da NBA (Carlos Morais foi o que esteve mais perto) e com a melhoria das condições (sobretudo a nível financeiro para os atletas) cada vez há menos angolanos a jogar profissionalmente na Europa.

Contudo, Angola parece padecer de um “síndrome de VIP”, ou seja, “sou demasiado importante para ir ter contigo, venha tu ter comigo”. Esta atitude é transversal na forma em que fazemos política, quer seja económica ou desportiva. Somos muito fechados e pouco pro-activos, gostamos de ser paparicados e do beija-mão porque a humildade (ou será realidade?) não combina connosco.

As relações internacionais do basquetebol angolano continuam muito centradas na Europa, os intercâmbios oficiais com a sede da modalidade, os Estados Unidos, continuam a ser invisíveis apesar de estarmos numa posição privilegiada, uma vez que a modalidade goza entre nós de uma popularidade inigualável em África. Temos hoje clubes que suportam atletas em idade escolar nos Estados Unidos (Petro e D’Agosto) mas falta um envolvimento maior da federação e que esta relação não se limite a enviar jogadores jovens para os Estados Unidos, é preciso envolver treinadores de um lado e do outro e aprender com os melhores a forma de organizar o espectáculo e gerir os activos. Uma relação mais intensa com o mundo do basquetebol americano seria um empurrão para que o nosso jogo desse o próximo passo: ser mais competitivo nos mundiais e torneios olímpicos.

Luanda é a capital do basquetebol africano, a cidade com mais clubes campeões no continente (masculino e feminino), sede da federação mais ganhadora de África e onde mais gente pratica a modalidade nas ruas. Contudo não é aqui que estão os escritórios da NBA África, que efectivamente já organizou eventos em Angola a partir dos seus escritórios em Joanesburgo, na África do Sul.

Com maior pro-actividade poderíamos intensificar o intercâmbio com a federação americana (USA Basketball) e com a NBA e estaríamos posicionados para sermos considerados para um jogo semelhante ao que se realizará em Joanesburgo, a terra do rugby e do futebol, onde o principal pavilhão serve sobretudo como casa de eventos culturais. No primeiro dia de Agosto opõem-se em Joanesburgo o Team Africa capitaneado pelo sul-sudanês naturalizado britânico Luol Deng (Miami Heat) e o Team World capitaneado por Chris Paul (Los Angeles Clippers) na Ellis Park Arena que tem uma lotação de cerca de 6.300 pessoas.

A NBA sentiu-se atraída pela África do Sul pelas condições que o país oferece, apesar da fraca popularidade da modalidade na África do Sul a capacidade económica e nível de desenvolvimento do país acabam por falar mais alto do que, por exemplo, a nossa história no basquetebol que é um activo que poderia ser melhor aproveitado. Com melhor diplomacia este jogo poderia ser no raramente utilizado Pavilhão Multiusos do Kilamba perante 12.750 pessoas em oposição de 6.300 da Ellis Park Arena.

Temos que valorizar o que o nosso basquetebol conquistou mas é preciso sermos humildes e empreender mais esforços na construção de uma relação frutuosa com a maior organização do mundo do basquetebol: a NBA (não, não é a FIBA). E se eles (NBA) “insistem” em não tomar iniciativa, que sejamos nós a tomar.

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