Merchandising no basquetebol

fonte: FIBA

O Petro de Luanda e o Recreativo do Libolo estão disputar as finais do BIC Basket numa série a melhor de sete jogos. Em termos de exibição as duas equipas têm apresentado bons momentos de basquetebol mas as arbitragens têm sido muito más (sobretudo no três primeiros jogos), ao ponto que motivaram a ira (e arruaça) dos adeptos do Petro de Luanda que acusam os árbitros de parcialidade.

Se os árbitros continuarem a ser protagonistas das finais pelo pior, quem perde é a modalidade. O jogo precisa de ser limpo para que os adeptos tenham interesse em associar-se a ele e para que os patrocinadores juntem o seu nome ao jogo.

Num situação normal as marcas não querem fazer parte de um jogo em que os erros sistemáticos dos árbitros e a violência dos adeptos passam impunes. Um jogo popular, limpo, bem organizado e com estrelas que o representam deve ser um produto apetecível para os meios de comunicação, fornecedores de equipamentos e produtos desportivos e outros agentes económicos.

Enquanto decorre a nossa final, nos Estados Unidos, os californianos Golden State Warriors e os Cleveland Cavaliers do Ohio lutam pelo título da NBA, que esta semana anunciou um contrato com a Nike, que a partir da época 2017/2018 substitui a Adidas como fornecedor exclusivo de equipamentos da NBA, WNBA e NBA D-League. Os termos financeiros não foram revelados mas diz-se o que o contrato valerá para liga, no mínimo, mil milhões de dólares durante 8 anos, sem considerar as compensações individuais das equipas.

A Nike, que também fornece equipamentos à Federação Angolana de Basquetebol, é a principal marca do mundo do basquetebol muito pela constelação de atletas que reúne na sua “família”. A Adidas nunca conseguiu suplantar a marca americana apesar da longa relação que mantém com a NBA, pelo contrário, a aposta nas estrelas só tem vindo a aumentar a quota da Nike que só com os ténis de assinatura de LeBron James vendeu $340 milhões em 2014. A presença global da Nike no mundo do basquetebol começou a ganhar tracção com a associação da marca a Michael Jordan que com a Nike partilha a Jordan Brand. As duas marcas – Nike e Jordan Brand – têm uma quota de 95% do mercado de ténis de basquetebol que vale $4,2 mil milhões nos Estados Unidos (a Jordan Brand tem 58% de quota e vendeu $2,6 mil milhões entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015).

Entre nós, pese o interesse dos angolanos pelo basquetebol, encontrar material de merchadising das equipas que participam no BIC Basket e da selecção nacional é uma raridade. Sempre achei curioso o facto da camisola de Carlos Morais mais vista em Luanda ser dos Toronto Raptors e não do Petro, Libolo ou selecção nacional. Até onde sei, se quisesse comprar hoje uma camisola da Nike da selecção de Angola de basquetebol não encontraria a venda em Luanda. Nunca percebi o porquê da inexistência de material oficial das equipas angolanas de basquetebol nas lojas (excluo aqui as lojas oficiais) quando abundam nas ruas das principais cidades de Angola as cores de clubes e selecções estrangeiras.

Não tendo qualquer estudo que suporte a minha posição, penso que o potencial comercial de alguns jogadores está a ser subaproveitado pelos clubes e pela federação e, como se pode observar no caso de Jordan, as estrelas do passado podem igualmente ser aproveitadas como, por exemplo, Jean Jacques da Conceição, José Carlos Guimarães, Necas, Paulo Macedo, Víctor de Carvalho, Miguel Lutonda, etc.

No caso da federação, seria proveitoso retirar mais da relação com a Nike sobretudo a nível da sua capacidade de comunicação com o mercado. Para os clubes, existe espaço para melhorar o design dos equipamentos, o modelo de comunicação e presença no retalho. A elaboração de uma estratégia de comunicação pode ser cara e a solução poderia passar pelo desenho de uma estratégia conjunta para a modalidade/liga em que os custos fossem partilhados entre os diferentes agentes.

Os agentes desportivos angolanos não podem continuar a dar-se ao luxo de depender excessivamente dos seus patrocinadores enquanto ignoram as oportunidades que a demografia lhes oferece, quem sabe este momento de maior aperto financeiro seja o empurrão que faltava para que os méritos do merchandising sejam abordados de outra forma no nosso basquetebol.

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